Dia Nacional do Escritor - Coletivo Leitor

Dia Nacional do Escritor

Por Coletivo Leitor - 24 jul 2019 - 9 min

Em 25 de julho é comemorado o Dia Nacional do Escritor, profissional da cultura literária que expressa sua arte por meio de letras, palavras, linhas e livros. Celebrar a existência desse sujeito social que tanto contribui e impacta a cultura, a educação e o conhecimento faz-se mais do que necessário. Afinal, o que seria do mundo sem os escritores?

 

Origem do Dia Nacional do Escritor

Dentre todas as datas do âmbito da literatura nacional, talvez a data em que é comemorada o Dia Nacional do Escritor seja a mais importante. Afinal, não existiriam os livros, a leitura e nem a biblioteca sem a existência do grande produtor de conteúdos. 

Em 1960, João Peregrino Júnior e Jorge Amado, grande personagem da literatura nacional, comandavam a presidência da União Brasileira de Escritores (UBE) e organizaram o I Festival do Escritor Brasileiro. A partir daquele ano, o dia 25 de julho foi instituído, por decreto governamental, como o Dia Nacional do Escritor. 

 

Para falar de escritor: grandes nomes da Literatura

dia nacional do escritor

Por causa da importância desta data, dedicamos o mês de julho para conversar e conhecer as histórias e memórias de escritores muito importantes para a nossa Literatura. Conheça-os também:

 

Lino de Albergaria:

Lino de Albergaria nasceu em Belo Horizonte e voltou a viver na capital mineira depois de conhecer e se aventurar em outras cidades, como São Paulo, Paris e Rio de Janeiro. Ele estudou Letras e Comunicação. Além disso, fez pós-graduação em Editoração e mestrado e doutorado em Literatura. Lino já trabalhou como editor e como tradutor de livros franceses. Há cerca de 35 anos publica seus livros e caminha para a marca de noventa títulos publicados. 

 

Alexandre Azevedo:

Alexandre Azevedo é professor de literatura e escritor. Autor de mais de 120 obras, ele nos contou que o hábito de ler livros o acompanha desde a adolescência, quando decidiu escrever a primeira crônica. Que azar, Godofredo! foi a sua primeira obra publicada e ele não parou por ali. Hoje, Alexandre tem mais de 125 livros publicados e segue escrevendo. 

 

Eliardo França: 

Eliardo França é um escritor nascido em Santos Dumont (MG), em 1941. Ele descobriu sua vocação para os livros ainda pequeno, quando começou a fazer desenhos que se tornaram ilustrações e muitos livros publicados. Em 1968, começou a ilustrar livros para crianças e já naquele ano recebeu seu primeiro prêmio conferido pelo Instituto Nacional do Livro intitulado “O Natal e o Livro”.

Hoje, com mais de 300 livros ilustrados de literatura infantil, já ganhou prêmios no Brasil e no exterior. O seu primeiro livro foi escrito em 1970 com o título O Rei de Quase-Tudo. Além de ter recebido muitos prêmios, a obra foi publicada em diversos idiomas.

 

Mary França:

Mary França nasceu em Santos Dumont (MG), em 1948. Ela publicou seu primeiro livro no início dos anos 1970. Hoje tem mais de 300 histórias, que são ilustradas por Eliardo França. É sabido que seus livros fazem parte do cotidiano de crianças de todos os estados do Brasil. Vários textos foram publicados em outras línguas. Hoje, vive em Juiz de Fora (MG), têm quatro filhos e seis netos.

 

Marcia Kupstas:

Marcia Kupstas nasceu em São Paulo (SP), em 1957. Cursou a Faculdade de Letras na Universidade de São Paulo (USP). Desde a adolescência, Marcia participou de grêmios literários e concursos. A partir de 1984, colaborou em revistas e jornais, com contos, resenhas e crônicas. Em 1986, a Editora Moderna publicou o livro Crescer é perigoso, que recebeu o Prêmio Revelação Mercedes-Benz, em 1988. A partir de 1990 dedicou-se exclusivamente à carreira literária e publicou mais de 150 livros, a maior parte para o público juvenil. 

 

Ivan Jaf:

Ivan Jaf nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 1957. É autor de mais de 60 livros de ficção para o público infantojuvenil, premiado pela União Brasileira dos Escritores (UBE),  Fundação Nacional do Livro Infanto Juvenil (FNLIJ) e duas vezes finalista do Prêmio Jabuti. É roteirista de histórias em quadrinhos, com trabalhos publicados em revistas brasileiras e italianas, em parceria com renomados ilustradores, como Solano López, Guazzelli, Gustavo Rosa e Luiz Gê, e foi diversas vezes finalista do prêmio HQMIX.  Escreve roteiros para cinema, acumulando diversos prêmios.

 

Leo Cunha:

Leo Cunha nasceu em Bocaiúva (MG), em 1966, e mora atualmente em Belo Horizonte (MG). Escritor, tradutor, jornalista e professor universitário, publicou mais de 60 livros para crianças e jovens, além de cinco livros de crônica e um de teatro. Seu contato com os livros se fortaleceu na adolescência, quando frequentava quase diariamente a livraria de sua mãe em Belo Horizonte. Lá, ele conheceu muitos escritores de literatura infantil, como Orígenes Lessa, João Carlos Marinho e Lygia Bojunga. Em 1993, publicou seu primeiro livro chamado Pela estrada afora

Sua obra recebeu diversos prêmios no campo da literatura infantil e juvenil, como Nestlé, Biblioteca Nacional, Jabuti, etc. Também teve mais de 20 títulos selecionados para programas de leitura como o PNBE, PNAIC e PNLD Literário. Traduziu cerca de 30 livros de literatura infantil e juvenil, de autores como António Skarmeta, Charles Dickens, entre outros.

Leo está com o lançamento do livro A poesia se faz num pescar de olhos. A obra, que tem um projeto gráfico criativo e agradável, reúne diversos poemas e é destinada para quem gosta de viajar com as palavras.

 

Ricardo Azevedo: 

Ricardo Azevedo é escritor e ilustrador paulista, nascido em 1949. Autor de muitos livros para crianças e jovens, entre eles Um homem no sótão, A casa do meu avô e Trezentos parafusos a menos. Ele descobriu a sua vocação enquanto fazia as redações escolares com muito prazer. Assim, publicou seu primeiro livro em 1980, com o título O peixe que podia cantar. Já ganhou diversas vezes o Prêmio Jabuti e tem livros publicados na Alemanha, Portugal, México, França e Holanda, além de textos em coletâneas publicados na Costa Rica.

 

O que é ser escritor

Para um escritor, o que será que significa “ser escritor”? Fizemos essa pergunta a eles e, a partir das respostas, pudemos formular uma linda e sensata definição.

Ser escritor é fazer uma escolha que realiza, é se entregar à criação em um dia chuvoso e no final da manhã sentir que aquilo te ultrapassou. É poder compartilhar suas ideias, suas histórias e suas brincadeiras poéticas. Ser escritor é transitar pelo mundo de fantasia, combinando letras e ideias. É trabalhar a partir de assuntos sobre os quais ninguém pode ensinar. É fazer disso um ofício, uma profissão e uma missão. Ser escritor é ser um artesão das palavras.

 

Os maiores desafios da profissão

Ser escritor, apesar de muito prazeroso, não é uma profissão fácil. Para Lino de Albergaria, um dos maiores desafios é chegar ao ponto certo da narrativa, o que requer reescritas e muita revisão da versão inicial da história, seja um pequeno conto ou um romance. Segundo ele, encontrar um bom título também é desafiador e, por isso, Lino só o define após o ponto final do texto. 

Já para Marcia Kupstas, segurar a vaidade, ter humildade, disciplina para reescrever quantas vezes for preciso e ser um leitor voraz e atento ao que está sendo produzido pelo mundo são também grandes desafios da profissão.

Para Ivan Jaf, não existe melhor caminho espiritual para combater o ego que não seja a escrita. Afinal, é preciso ter paciência e perseverança para lidar com todos os processos. É também o que o escritor Leo Cunha pensa. Segundo ele, é preciso paciência para saber que demora muito para seus livros ficarem conhecidos entre as crianças, os pais, os professores, os críticos. Por isso, quem espera um retorno rápido, seja dos leitores, seja do mercado, seja da crítica, pode se frustrar.

Outra grande missão do escritor, desta vez conforme a visão de Eliardo França, é escrever algo inédito, inovador e que nunca ninguém tenha escrito. 

Segundo Ricardo Azevedo um dos maiores desafios é a luta constante pela sobrevivência num país que infelizmente lê muito pouco. Outro desafio é como trabalhar com autonomia em relação a coisas como “mercado”, “ideologias”, “causas sociais”, “modas”, etc. Alexandre Azevedo compartilha da mesma opinião de Ricardo. Para ele, ainda falta muito para o brasileiro ser um leitor, leitor de verdade, na mais pura acepção da palavra. E, como ele escreve para ser lido, esse é, então, seu maior desafio.

 

A importância dos livros e da Literatura

Se para todos nós os livros e a Literatura têm uma importância muito grande, imagina para eles que, além de consumidores, são também produtores dessa arte? Por isso, melhor do que adaptarmos o que foi dito por eles sobre o assunto, é utilizar as aspas e permitir que eles façam o que sabem de melhor: transformar as letras e as palavras em uma verdadeira arte que faz todo sentido.

“A palavra por si só representa a maneira mais eficaz de transmitir conhecimento. Imagine um objeto que pode armazenar milhões de palavras. Eu sei o que Platão pensou. O conhecimento está em todos os lugares, mas eles sempre vão parar nos livros. As bibliotecas são os verdadeiros templos do espírito humano.”  – Ivan Jaf

 

Um bom livro pode salvar a sua alma! As histórias são imortais, fazem parte de todas as culturas humanas; mas a história escrita, a literatura, permite que você releia aquilo quando quiser, aprenda sobre os sentimentos humanos, inspire-se em ou se resguarde de personagens que podem ajudá-lo ou prejudicá-lo.” – Marcia Kupstas

 

“Por meio da literatura, podemos iluminar lugares escuros ou indizíveis dentro e fora da gente. Neste sentido, ela é capaz de ampliar nossa consciência a respeito da vida e de nós mesmos.” – Ricardo Azevedo

 

“Adoro a variedade, a pluralidade da literatura, e como ela nos leva a enxergar o mundo com outros olhos e outras sensibilidades.” – Leo Cunha

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