São João, acende a fogueira do meu coração!

Por Juliana Muscovick - 23 jun 2021 - 4 min

Quadrilha, fogueira, milho, quentão, canjica, pipoca, pamonha: as festas juninas têm lugar cativo na cultura popular brasileira. Por serem repletas de tradições, revelam diversos aspectos históricos, religiosos e sociais do país e nada mais rico do que uma grande celebração para entrar em contato com nossas raízes. 

Apesar de serem multiculturais, o formato no qual as conhecemos hoje se origina das festas dos santos populares na Península Ibérica (Portugal e Espanha), como Festa de Santo Antônio, Festa de São João, Festa de São Pedro. Porém, antes disso, há estudos que apontam que sua origem está relacionada a ritos e festividades pagãs que ocorriam na Europa no solstício de verão – a passagem da primavera para o verão. Quando chegam ao Brasil, passam por um processo de estilização, mas ainda com o intuito de comemorar a colheita. 

Aqui, recebem o nome “juninas” porque acontecem em junho, mas eram chamadas inicialmente de “joaninas”, em referência a São João. Comemorado no dia 24 de junho, o dia de São João talvez seja o mais celebrado no Brasil e, segundo o calendário católico, é o dia em que nasceu João Batista, profeta que previu o nascimento de Jesus Cristo. Santo Antônio é homenageado no dia 13 de junho; São Pedro, dia 29. 

Símbolo típico desse festejo é a fogueira, que, segundo o historiador Manoel Passos, está relacionado ao catolicismo. A fogueira é um símbolo de São João porque Isabel, prima de Maria, precisou de madeira e fogo para avisar sobre o nascimento de João Batista. 

O forte apelo religioso foi aos poucos dando lugar ao caráter mais popular e a festa hoje está muito mais associada a símbolos típicos das zonas rurais – isso explica as fantasias caricatas de caipira. A região Nordeste é o lugar que concentra o maior número das festividades, algumas das maiores são as de São João de Campina Grande, na Paraíba; São João de Caruaru, em Pernambuco; e São João de Salvador, na Bahia. 

Apesar da origem ibérica, as festas juninas carregam também características francesas, que foram adaptadas no Brasil. Esse é o caso da quadrilha, dança típica da festividade. O comando “anarriê”, por exemplo, (todos voltam a seus lugares) é uma palavra francesa (en arrière – para trás), utilizado junto com “olha a chuva”, “olha a cobra”, essas já incorporações brasileiras. 

O uso de fogos de artifício é também outro elemento que foi incorporado no Brasil, já que em Portugal é mais comum o uso de balões com fogo (lá a bucha é de parafina, por isso quando desce não causa incêndio). 

Que tal se aventurar mais no clima de festa junina e comemorar o dia de São João com a gente? A seguir, listamos algumas obras de nosso catálogo que dialogam com essa temática: 

Fogo no céu, de Mary França e Eliardo França

Um fogo estranho ilumina o céu e cai na mata, colocando em perigo todos os bichos que nela vivem.

Pula, boi!, de Marilda Castanha

Boi-Bumbá recebeu a visita de uma garota que queria saber tudo sobre a Festa do Boi. A menina tinha pressa de obter as informações, mas o velho boi a convenceu a passar um tempo ali e acompanhar os preparativos para a festividade. Na noite de São João, ela entendeu os detalhes daquela história e descobriu que aquilo tudo também tinha passado a fazer parte de sua vida!

Notas:

BELO, Mariana. Historiador da BA fala da origem das festas juninas…G1, 3 jun. 2021. 


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Juliana Muscovick

Juliana Muscovick é editora do Departamento de Literatura Infantojuvenil da SOMOS Educação. Formada em Letras, História e com especialização em jornalismo, trabalha na área editorial desde 2010 e sempre se aventurou pelos caminhos das letras, da cultura, da educação e das artes.

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