Cronicamente viável: leitura literária de crônicas e o trabalho com gêneros audiovisuais - Coletivo Leitor

Cronicamente viável: leitura literária de crônicas e o trabalho com gêneros audiovisuais

Por Coletivo Leitor - 22 maio 2019 - 7 min

“Escutar, respeitar, acolher. Somos todos um”. Essa é a temática que norteia o projeto anual  do Colégio Motivo (PE). Na história dessa instituição, esses tipos de projeto engajam os alunos há dez anos, pelo menos. Em depoimento para o tema “Boas Práticas”, do Coletivo Leitor, as professoras e também coordenadoras de Língua Portuguesa, Alixandra Melo e Marlecsandra Santos, compartilharam, com muito brilho nos olhos e na fala, suas boas práticas que focam na leitura literária de crônicas e gêneros audiovisuais, que têm como foco preparar o aluno para exercer maior criticidade, relacionamento interpessoal e desenvolvimento pessoal e profissional.

São dois os projetos: “Cronista, eu?!” e “Curta Motivo”. O primeiro é desenvolvido com os estudantes do 1º ano do Ensino Médio. É uma prática regular por repercutir positivamente na vida escolar do educando  e para além dos muros da escola. O “Curta Motivo”, assim como o “Cronista, eu?!”, é trabalhado por todas as 4 unidades do Motivo, também com os alunos do 1º ano, e se desdobram em adaptações de crônicas e contos ou de roteiros originais, também muito esperado pelos estudantes, já que, ao final, há um dia de apresentação dos curtas produzidos por eles. “Parece até o Oscar”, dizem as professoras.

 

Como os projetos acontecem – trabalho com as crônicas

A Crônica é trabalhada pelas professoras, que exploram todas as características desse gênero textual. “Mas não fica cansativo trabalhar um mesmo gênero durante todo um bimestre?”, perguntamos às professoras. “O fato de se trabalhar com o gênero Crônica, porque há um projeto em desenvolvimento, não significa que os outros gêneros não sejam estudados durante o ano.

Como há o uso do material didático, existe, portanto, uma sequência de atividades e conceitos a serem vistos pelos alunos no decorrer das sequências de aulas”, relatam as docentes. Além disso, o foco nas características do gênero Crônica permite aos estudantes que tenham uma imersão mais duradoura sobre ele. Isso porque, na visão das professoras, o trabalho com a Crônica não fica superficial, e os alunos também percebem isso.

Segundo Marlec e Alixandra, mais um ponto relevante é perceber, ao longo das atividades com o projeto, o quanto outro recurso textual também está presente no gênero Crônica: a Poesia. Essa percepção amplia o olhar do aluno para questões mais sensíveis, mais autorreflexivas e, claro, mais críticas também.

Outro aspecto importante relatado pelas professoras é o fato de se trabalhar a argumentação, haja vista a variedade de assuntos das crônicas que leem e que também precisam manter um diálogo com o tema anual do Motivo: “Escutar, respeitar, acolher. Somos todos um”.

A produção das próprias crônicas

A partir do envolvimento com o gênero Crônica, do contato com os diferentes estilos dos autores – que os próprios alunos percebem – e da percepção da poesia que pode estar no texto da Crônica, os alunos são orientados a produzirem suas próprias crônicas. Marlec e Alixandra levantam um ponto interessante: “os alunos relatam que é impossível escrever uma crônica, mas depois entendem que é possível, sim, produzi-la e, com isso, se envolvem cada vez mais com o projeto. A expectativa é grande, e a motivação cresce ao longo do trabalho, das produções e das discussões temáticas que realizam”.

E quanto à avaliação? No segundo bimestre, os alunos já se preparam para realizarem avaliações que são elaboradas pelas professoras. O intuito é avaliar se entenderam as características da Crônica, a interpretação dos textos e sua argumentação.

Ao final do projeto, o resultado é a produção de um livro de crônicas, cuja seleção é feita pelas professoras de todas as unidades (Caruaru, Petrolina, Boa Viagem e Casa Forte – Recife). Os textos são escolhidos de acordo com alguns critérios, tais como originalidade e adequações ao tema anual e às características do gênero Crônica.

Os alunos também opinam sobre a capa do livro, por meio da votação. Alguns  alunos gostam de fazer as ilustrações. Desta forma, abre-se uma oportunidade para participarem de mais uma etapa de produção do livro.

Para comemorarem em grande estilo, há um dia especial para a entrega dos livros aos autores, com a presença  dos pais ou responsáveis, professores e gestores escolares. Além disso, há leituras das Crônicas e todos celebram este momento encantador promovido pelo trabalho com a literatura.

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Curta Motivo: atividades com crônicas e contos

O aprendizado deles é visível. Fico feliz em saber que estamos contribuindo para esta transformação.

Outra opção de atividade com os gêneros Crônica e Conto é a produção de curtas ou de vídeos feitos pelos alunos, com base nos textos literários lidos. Os curtas podem ser adaptações dos gêneros trabalhados ou de roteiros originais.

“Gosto muito de trabalhar com os curtas, porque os alunos não se preocupam só com provas. Eles se envolvem de fato. Dá trabalho? Sim, e muito, mas faz parte do processo pedagógico, e o resultado é transformador. O aprendizado deles é visível. Fico feliz em saber que estamos contribuindo para esta transformação”, relata uma das professoras.

 

Para entender melhor o projeto Curta Motivo

E o mais legal disso tudo é ver como os frutos para além dos muros da escola são prósperos.

O gênero Roteiro é o pontapé inicial das atividades, pois a produção textual é trabalhada antes da produção audiovisual. Como o resultado é a  elaboração de um material audiovisual, os alunos têm a oportunidade de se verem em papéis diversificados, como roteiristas, produtores, atores e diretores. Durante o envolvimento com essas produções, os estudantes têm contato com algumas oficinas de criação. O objetivo é que eles entendam, por exemplo, quais são as etapas de produção de um filme/vídeo.

Após a realização dos vídeos, professores de outras disciplinas e alunos que já passaram pelo projeto são convidados para participarem como júris e selecionarem os melhores vídeos, dentro dos critérios estabelecidos: melhor animação, melhor documentário, melhor enredo de ficção, entre outros. Os responsáveis são convidados, e uma sala de cinema local é alugada para receber todos os envolvidos.

Há, até mesmo, uma divulgação feita por redes sociais e alguns grupos divulgam em rádios da cidade e outdoors , o que os motiva ainda mais. “Como dissemos, o dia de apresentação é muito aguardado pelos alunos. Parece mesmo um clima de Oscar. E o mais legal disso tudo é ver como os frutos para além dos muros da escola são prósperos. Tivemos uma aluna que gostou tanto das atividades que prestou vestibular para Cinema. Esta é a recompensa para nós, professoras, pois vemos o quanto nosso trabalho pode impactar a vida de alguém.”

 

CTA _ montar acervo da escola

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