A literatura brasileira como objeto essencial em sala de aula

A literatura brasileira como objeto em sala de aula

Por Coletivo Leitor - 06 fev 2019 - 5 min

Contribuir para o aprendizado de uma criança ou de um adolescente não diz respeito a apenas ensinar conteúdos didáticos a eles. Além da grade curricular e dos conteúdos base para o desenvolvimento intelectual dos alunos, é fundamental que os profissionais de educação reconheçam o papel da literatura brasileira em sala de aula. Isto é, valorizem e incorporem a sua indicação como forma de aperfeiçoar a leitura, a escrita e a oratória dos jovens, além de contribuir para o seu progresso social.

Ao ensinar sobre a história do Brasil, por exemplo, os professores devem transmitir os fatos da forma como os estudiosos relataram nos livros de História. Dessa forma os alunos conseguem compreender o conteúdo da maneira mais próxima à realidade possível. Assim, eles têm uma ideia de como foi a chegada dos portugueses ao país, do período da escravidão, da produção do café. Além da extração do ouro e entre outros acontecimentos históricos que contribuíram para o país ser o que é hoje.

Ainda assim, além de aprender com os livros didáticos, uma alternativa para compreender a realidade dessa época é buscar conhecimentos complementares em obras literárias que possam contribuir com o repertório cultural, por exemplo.

Segundo o escritor Luiz Antonio Aguiar, a literatura “é universal, é metafísica, é existencial… E também é ‘local’. Tem a ver com o idioma, com a história, com a maneira de ver o mundo, própria de uma cultura e de um país em que a obra surge. Nasce de pessoas, que vivem e recriam o tempo todo essa cultura. Então, tem um tantinho de Brasil numa obra escrita por um brasileiro, ou escrita no Brasil, claro que tem.”

Contribuição da literatura brasileira

Quando um jovem tem contato com um livro literário que aborda, mesmo que de forma lúdica, a história de personagens brasileiros marcantes, ele consegue aliar ao seu conhecimento teórico e tudo começa a fazer mais sentido.  Além disso, o livro literário consegue transmitir características culturais de forma autêntica.

Por exemplo, ao ler uma obra que tem como cenário o sertão, a linguagem e as descrições de ambiente irão te transportar para lá. Da mesma forma que ao ler um livro que se passa em São Paulo e conta sobre um sertanejo que foi tentar ascensão social na capital, você conseguirá refletir sobre os choques de cultura presentes ali.

Além dessas contribuições culturais, a literatura em si já possui  características que são positivas para a formação de crianças e adolescentes.

Além das palavras escritas

Toda leitura levada para a sala de aula precisa ser planejada para fazer sentido. Além de cumprir um objetivo, trazendo contribuições e reflexões. Para que um livro da literatura brasileira seja ainda mais interessante para o leitor, Luiz Antonio Aguiar diz que é importante buscar os elementos que mais aproximam o leitor à obra e, dessa forma, explorá-los em conjunto.

“Mas, também, procurar o que mais dá vida à narrativa e destacá-lo para o leitor. Cada obra é diferente. Cada livro tem seus caprichos e modos de contar a história. Não podemos é perder esse trejeito particular, especial, de cada obra”, reflete Luiz Antonio.

Para que os educadores desenvolvam um trabalho de relevância com seus alunos, eles podem  pensar também em algo disruptivo. Isto é, estimular, a partir da leitura, atividades práticas que possam auxiliar no interesse e no aprendizado dos estudantes pela literatura brasileira.

Práticas escolares

Como exemplo de algumas práticas interessantes para serem exploradas, Luiz Antonio cita: “Montar peças teatrais, instalações, versões musicais (em hip-hop?!), exposições, versões em cinema comentadas e discutidas, seminários organizados pelos alunos, festivais dentro da escola e para os pais e a comunidade, cartazes, o que for… Isso é dar ao leitor a oportunidade de se apropriar da obra e ir mais além. De recriá-la.”

Além dessas opções, ele também ressalta a importância de “uma obra puxar a outra”, ou seja, perceber o interesse dos jovens por determinado gênero literário e incentivá-los a dar continuidade na leitura de obras do mesmo segmento. Outra forma seria a promoção de eventos que possibilitem o contato de leitores com os autores das obras, quando esses são acessíveis. “Trazer o escritor ao colégio para conversar com os alunos sobre os livros que eles leram sempre rende um dia especial, um papo que não se esquece, um contato precioso, extraordinário entre o leitor e a Literatura”, comenta Luiz Antonio.

A literatura brasileira como objeto em sala de aula

Trabalhar a literatura brasileira em sala de aula não significa simplesmente solicitar a leitura de um livro, acompanhada da obrigação de se fazer  um resumo da obra ou uma resenha. É importante que haja uma reflexão maior sobre o que foi lido. Dessa forma, os jovens conseguirão observar o valor dessa contribuição para o seu crescimento em aspectos diversos de sua formação e personalidade.

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