A história do livro: do papiro ao digital

A história do livro: do papiro ao digital

Por Coletivo Leitor - 18 set 2019 - 5 min

A prática de narrar histórias é bem anterior ao surgimento dos livros como conhecemos hoje. Um dos primeiros registros dessa potência narrativa, que mesmo nos dias de hoje não se reduz à expressão escrita (basta lembrar da rica tradição fabulatória de povos ágrafos) são  as pinturas rupestres, por meio das quais o ser humano começa a se expressar simbolicamente  por volta de 4 mil anos a. C. Desse momento em diante, a humanidade desenvolveu diferentes formas de registro escrito. Acompanhe a seguir alguns passos desse percurso de desenvolvimento da escrita (e de seus suportes), que também se liga à história do livro, do papiro ao digital.

Papiro

Por volta de 2.500 a. C os antigos egípcios desenvolveram a técnica de confecção das folhas de papiro, material proveniente de uma planta da família das ciperáceas, o Cyperus papyrus

Cyperus papyrus

Planta Cyperus papyrus

O papiro era confeccionado a partir do caule dessa planta, cortado em finas tiras. Depois disso, as tiras eram molhadas, sobrepostas e cruzadas para, por fim, serem prensadas. Prontas as folhas, elas eram coladas uma ao lado da outra, formando uma longa fita. Dessa forma, eram enroladas e armazenadas. 

A escrita era uma atividade importante, realizada de modo exclusivo pelos escribas, que recebiam educação especial para exercer a sua função e desfrutavam de grande prestígio social. A classe dos escribas era incumbida de registrar a cobrança de impostos, copiar textos sagrados e produzir relatos sobre a vida dos faraós.  

Diferentes escritas 

Os escribas dominavam dois tipos de escrita, a demótica, mais simples, empregada no registro de assuntos cotidianos, e a hieroglífica, composta por desenhos e símbolos, usada em textos sagrados e documentos oficiais. 

Pergaminho 

Desenvolvido pelos gregos, o pergaminho era mais resistente e flexível que o papiro. E também reaproveitável, já que podia ser raspado e apagado, servindo de base a novos escritos. Denomina-se palimpsesto o texto escrito sobre um pergaminho raspado, prática adotada em função do elevado custo desse material. O pergaminho foi uma importante invenção. Sobre ele foram escritos importantes textos literários, obras filosóficas e relatos bíblicos. 

Os pergaminhos eram feitos de pele animal (geralmente de cabra, ou ovelha), tratada com cal e posteriormente esticada. As peles eram então emendadas umas às outras formando grandes rolos, cujo maior inconveniente era a dificuldade de armazenamento.

Já nessa época, desenvolveram-se outros suportes textuais, como a forma códice (ou códex), em que os textos eram gravados sobre placas de madeira e, posteriormente, sobre folhas de papel agrupadas em cadernos. A forma códice, precursora do livro, acabou por substituir os rolos de pergaminho, sobretudo com o advento das primeiras comunidades cristãs.

O suporte influencia a leitura

Vale dizer que diferentes suportes textuais definem também diferentes experiências de leitura: contínua, no caso do rolo, e descontínua no caso do códice, em que o texto é “quebrado”, “interrompido”, “ritmado” pelo limite da página, a qual precisa ser virada. Nesse sentido, os suportes textuais eletrônicos, em que o texto vai sendo “rolado”, propiciam uma experiência de leitura mais semelhante à que nos fornecia o rolo de pergaminho.

Do século 4 até 751 o pergaminho reinou com relação ao papiro. Posteriormente os árabes se apropriaram da tecnologia de produção do papel desenvolvida pelos chineses desde o ano 105,  e daí para frente o papel dominou a Europa e todo o resto do mundo.   

Era Medieval 

No período medieval, disseminaram-se os livros já encadernados, produzidos por copistas a serviço principalmente da igreja. Nas bibliotecas dos  mosteiros conservaram-se obras de diferentes culturas que integram o patrimônio da humanidade.

Aos livros produzidos manualmente por copistas seguiram-se os livros impressos. Matrizes de madeira entintadas “transferiam” o texto para o papel. Desse modo, era possível fazer inúmeras cópias.  

Prensa de Gutenberg

A impressão mecânica em tipos móveis, desenvolvida pelo alemão Johannes Gutenberg em 1450, facilitou e tornou mais ágil o processo de difusão dos textos. Os livros tornaram-se mais acessíveis e passaram a ser lidos além dos círculos do alto clero. Os tipos móveis eram feitos de chumbo fundido, material mais duradouro que a madeira, passível de reutilização. O impacto da invenção foi enorme, uma verdadeira revolução que permitiu o consumo em massa de livros e jornais.  

Livro como conhecemos hoje 

A história do livro: do papiro ao digital

Do século XIX em diante, com a criação dos Estados Nacionais e as políticas de acesso universal à educação, o número de leitores cresceu vertiginosamente. Além disso, as inovações tecnológicas e o barateamento dos custos de produção favoreceram ainda mais o aumento no número de livros. 

Atualmente multiplicaram-se as tecnologias de disseminação dos textos escritos, sobretudo com a criação de suportes eletrônicos, que dispensam o uso do papel.  

A era dos e-books

Chegamos então à era dos e-books, publicações digitais que podem ser baixadas da internet para computadores, tablets, e-readers e smartphones. Os primeiros e-books em formato .txt foram disponibilizados em 1971. No entanto, apenas em 1998 surgiram dispositivos especialmente concebidos para a leitura digital, os e-readers. De lá para cá, os meios de produção editorial passaram por sucessivas transformações, tiveram seus custos reduzidos e atingiram milhões pessoas por todo o mundo. 

Alguns leitores seguem fiéis às páginas impressas, outros tornaram-se adeptos da leitura digital. Independentemente da preferência, é inegável a contribuição trazida pela modernidade para  ampliação não apenas do número de leitores mas também das maneiras de experimentar a leitura e desfrutar da informação. 

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